4 autores frequentemente cotados para o Nobel de Literatura

4 autores frequentemente cotados para o Nobel de Literatura

Há uma categoria curiosa na literatura mundial que não existe em nenhum outro campo do conhecimento humano: a do escritor eternamente esperado. Não o fracassado, não o ignorado — mas aquele sobre quem a Academia Sueca parece ter construído uma relação de namoro sem data para o casamento. São figuras cujas obras já entraram no sangue de gerações, mas que, todo outubro, voltam para casa sem o telefonema de Estocolmo.

Murakami Haruki

Murakami Haruki é o caso mais ruidoso. Cada outono, apostas são feitas, editoras preparam reedições, jornalistas aquecem textos sobre o escritor japonês como se preparassem uma sopa que pode ou não ser servida. Há nisso algo de esporte, de ritual coletivo que já existe independentemente do prêmio em si. Murakami vendeu mais romances do que qualquer outro autor da lista longa, e talvez seja exatamente isso o problema: a Academia raramente premia escritores que já conquistaram o mundo sem a sua ajuda. O Nobel funciona melhor como descoberta do que como confirmação.

Haruki Murakami

Ngugi wa Thiong'o

Ngugi wa Thiong'o carrega um peso diferente. O queniano que um dia abandonou o inglês para escrever em gikuyu — sua língua materna — e tornou esse gesto uma declaração política e estética talvez seja o candidato cujo não-prêmio diz mais sobre o mundo do que qualquer discurso de aceitação poderia dizer. Ele passou anos preso por causa de sua escrita. Exilou-se. Continuou escrevendo. Existe uma espécie de injustiça poética no fato de que o homem que escolheu a língua dos colonizados em vez da dos colonizadores ainda aguarda o reconhecimento máximo de uma instituição europeia.

Ngugi wa Thiong'o

Mircea Cărtărescu

Mircea Cărtărescu é o nome que circula com mais força mais recentemente. O romeno criou com sua trilogia Orbitor algo que resiste às categorias: não é realismo mágico, não é ficção científica, não é prosa poética — é tudo isso comprimido até explodir numa visão de Bucareste que é simultaneamente pessoal e cósmica. Poucos escritores vivos conseguem fazer o leitor sentir que está lendo um sonho que ele mesmo poderia ter tido.

Mircea Cărtărescu

Anne Carson

Anne Carson ocupa um território à parte. A canadense desfez as fronteiras entre poesia, ensaio, tradução e forma visual com uma elegância que não pede licença a nenhuma tradição. Ela não pertence a nenhuma escola porque construiu a própria. O Nobel já premiou poetas, mas Carson é um tipo de inteligência que desafia qualquer rótulo — e instituições tendem a se sentir confortáveis com rótulos.

Anne Carson

O que une esses nomes, além da espera, é que nenhum deles precisa do prêmio para justificar a obra. E talvez aí esteja o nó real: o Nobel tem mais poder sobre escritores que o mundo ainda não descobriu do que sobre aqueles que o mundo já abraçou. Para Murakami, Ngugi, Cărtărescu e Carson, o prêmio seria um acréscimo. Para o leitor que ainda não os encontrou, seria uma porta.

É essa porta que a Academia, quando funciona bem, sabe abrir.